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10/03/2014 | A importância e a responsabilidade de uma avaliação imobiliária

Os custos cartoriais em nosso país são elevadíssimos, somados ainda a um antigo hábito, cada vez menor, mas ainda existente, de fazer contratos com valores abaixo dos reais.O mercado imobiliário cresceu de forma exponencial nos últimos anos, tanto na valorização quanto na produção, e entre outros efeitos também trouxe a escassez da mão de obra na área de comercialização. A profissão de corretor de imóveis era uma opção de ocupação para aqueles que se aposentavam e tinham uma vasta rede de relacionamento. Com esse aumento na oferta, o mercado começou a atrair cada vez mais jovens para ingressar neste promissor e rentável mercado.Como tudo, sempre existe os dois lados: por um lado está as vantagens que a juventude possui na facilidade em se relacionar com a tecnologia e suas ferramentas, propiciando um diferencial positivo, por outro lado, como todos os mercados, mas em especial o imobiliário, somente com o tempo pode-se conhecer e interpretar seus movimentos.O início do processo de compra e venda ou de locação é a definição do valor em que se colocará no mercado determinado imóvel. Não diferente de outros momentos econômicos que já vivemos, a avaliação imobiliária passa a ter uma importância e uma responsabilidade ainda maior.Além do início do processo de locação e de compra e venda, a avaliação também é utilizada com outros objetivos: como a avaliação patrimonial de pessoas físicas e jurídicas, também nos inventários e divisão de bens entre casais que estão em um processo de separação, nos financiamentos imobiliários ou naqueles em que um imóvel é usado como garantia para liberação de recursos, a avaliação para fins de indenização em alguma desapropriação para equipamentos públicos ou ampliação do sistema viário ou rodoviário. Enfim, são vários os usos e as necessidades de uma boa e responsável avaliação.Em alguns países europeus e nos Estados Unidos os avaliadores têm ao seu lado e a seu favor um banco de dados públicos, onde o levantamento de informações são facilitados, bem como a veracidade das informações. Pois a base de uma boa avaliação é o conjunto dos negócios realizados. Diferente de nosso país, as escrituras de compra e venda são feitas e registradas no momento da negociação e os valores são reais.Os custos cartoriais em nosso país são elevadíssimos, somados ainda a um antigo hábito, cada vez menor, mas ainda existente, de fazer contratos com valores abaixo dos reais.Com a dificuldade na coleta de informações públicas sobre os negócios realizados a tarefa de avaliar um imóvel se torna ainda mais difícil, mas conta com ferramentas, cursos e critérios objetivos e técnicos para o trabalho, formando cada vez mais profissionais para a área.Voltando para o mercado de compra, venda e locação, seja residencial ou comercial, as imobiliárias e os corretores têm obrigação de fazer com responsabilidade a avaliação do bem, pois o correto valor fará com que o mercado tenha a dinâmica e a liquidez esperada. Com o aumento da concorrência em todos os setores e também neste, alguns corretores por inexperiência ou até para tentarem conquistar clientes fazem avaliações acima do mercado, captam o imóvel e convencem o proprietário de que o valor é justo para o bem, na verdade, é acima do real. Fazendo isto o mercado diminui a liquidez e realiza menos negócios.Esse fato decorre também de um hábito ruim e cultural de nossa sociedade: de não dar a exclusividade da venda para apenas uma imobiliária ou corretor. Quando percebermos que no momento que a imobiliária tem a exclusividade, trabalha melhor e de forma a concretizar o negócio mais rapidamente, o mercado usará mais esse formato. Acredito que estamos caminhando nesta direção ao construirmos redes de contato e venda pela internet e no processo de convencimento e de benefícios que algumas imobiliárias, inclusive em nossa cidade, já estão dando para aqueles que elegem a empresa para comercializar ou alugar seu imóvel.Com essa responsabilidade em comercializar o imóvel a avaliação certamente será feita com mais técnica e trará resultados melhores na velocidade de venda e na liquidez no mercado imobiliário.Por: Flávio Amary
Flávio Amary é vice-presidente do Interior do Sindicato da Habitação no Estado de São Paulo (Secovi-SP) 

Fonte: Cruzeiro do Sul 
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