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25/07/2011 | Presidente da CEF afirma que 2011 será o melhor ano de crédito imobiliário da história do país

Natural de Salvador e arquiteto por formação, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, pretende passar à história como o avalista do maior volume de recursos já emprestados no país para a compra de imóveis cerca de R$ 90 bilhões, pela projeção da Caixa, para financiar 1,38 milhão de moradias. Hereda rechaçou a perspectiva de que pode faltar dinheiro para habitação a partir de 2013, mas advertiu que o custo do financiamento pode aumentar, especialmente, com a entrada de modalidades de crédito que se descolem da poupança e do FGTS.

Disse não temer a inadimplência dos mutuários e o risco de uma bolha imobiliária no país, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos entre 2007 e 2008.

- As novas regras que integram o programa Minha Casa Minha Vida 2, como o subsídio para famílias de baixa renda, dão mais segurança ao sistema financeiro da habitação?

Sim. Se você tiver de fazer crédito para uma parcela da população que não pode pagar 100% desse crédito, num momento em que há um boom imobiliário, imagine o risco que as instituições financeiras poderiam correr se não houvesse subsídio. O importante é que famílias com renda mais baixa, menos de três salários mínimos (cerca de R$ 1, 6 mil mensais), têm uma carga de subsídio grande, são 100% financiadas com recursos da União. Na fase 2 do Minha Casa, Minha Vida, a faixa de renda de zero a três mínimos vai se elevar a 60% do programa algo como 1,2 milhão de moradias até 2014.

- A demanda em alta e a facilidade de crédito sugerem uma bolha imobiliária?

A segurança do sistema passa pela qualidade do nosso crédito. Não há aqui a mesma irresponsabilidade que se viu nos Estados Unidos, em que se deu crédito para quem não podia pagar. Nós damos crédito a quem não pode pagar graças ao subsídio do governo. Os imóveis ficaram depreciados muitos anos aqui no Brasil, por falta de financiamento. É natural que se recupere esse valor. Mas o preço de venda não está acompanhando a valorização ideal do imóvel, que é aquele que o dono pede quando quer vender. Ainda não podemos dizer que temos uma bolha. Nem que vamos ter.

- Quanto podemos crescer?

A participação do crédito imobiliário no PIB brasileiro é de apenas 4%. O Chile tem 15%, o México tem de 10% a 12%. E nós não temos esse “funding” todo disponível aqui no Brasil. Na maioria dos países, os recursos para financiar habitação saem da tesouraria dos bancos porque o juro é mais baixo. Aqui, quem financia são os recursos do FGTS e a captação de poupança. A Caixa não vai ter 75% do crédito imobiliário do país a vida inteira, isso é anomalia. Não existe política habitacional com apenas um agente financeiro em nenhum lugar. A gente tem muito o que caminhar.

- Há risco de secarem as torneiras, como têm advertido alguns bancos privados?

Não é bem assim. O problema é que os bancos privados não estão atuando com o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), apesar de terem acesso legal a ele. No SBPE, é verdade: você tem um crescimento da poupança de cerca de 20% ao ano e do crédito de mais de 50%. É natural que desequilibre. Mas não vamos deixar de ter poupança para fazer crédito. Num determinado momento você pode não ter capacidade de crescer. E esse crescimento pode cair. O que dizem é que seria 2013. A Caixa está resolvida até o final de 2012.

- Esse desequilíbrio pode significar uma ameaça ao sistema?

Temos demanda e precisamos resolver. Isso passa por securitização de carteira até a proposta dos “covered bond” (títulos lastreados em contratos de crédito imobiliário). Sempre há possibilidade de fazer um mix com recursos da poupança, então não tem essa de que em 2013 não terá mais dinheiro para fazer frente ao financiamento. Agora, pode ter de aumentar o juro do financiamento em função do custo desses “fundings”. É uma tendência.

- O senhor está otimista com relação a 2011?

Tenho certeza de que teremos o melhor ano de crédito imobiliário da história do país, com um volume superior a R$ 90 bilhões em financiamentos. No ano passado, financiamos 1,2 milhão de moradias com R$ 78 bilhões. Vamos passar disso este ano.

- Esse cenário de fartura de crédito combinado com déficit habitacional preocupa?

Sem dúvida. E não só à Caixa, mas também ao Banco Central, ao governo como um todo. É apenas um receio. Na Caixa, no crédito imobiliário, não houve aumento significativo de inadimplência. Temos alguma coisa em torno de 2%, um comportamento historicamente observado.

- A fuga de recursos da poupança é outro fator de risco à manutenção do volume de financiamentos?

De fato, o mercado perdeu R$ 3 bilhões em poupança no primeiro semestre do ano. Mas a Caixa ganhou mais de R$ 2 bilhões. Somos exceção. Só em junho captamos um R$ 1 bilhão. A meta do ano é de R$ 15 bilhões em captação. Vamos correr atrás. Se não fizer isso, como vamos contratar no mercado imobiliário?Fonte: Secovi/MS

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